quinta-feira, dezembro 01, 2005

A Irmandade da Cruz - Episódio I

Numa Galáxia muito muito longe daqui…

Como eu adoro crisântemos! O cheiro de relva cortada ou toque de terra molhada. Basicamente a minha vida tem sido jardinagem, não conheço outro ofício. A dedicação que tenho pelas plantas, arbustos e flores foi, ao longo da minha vida, invejada por varias mulheres. Tolas… Nunca nenhuma a mereceu como as minhas flores.
- É pá, ó Américo acorda! O Pimentel ‘tá caído.
- Ele que se levante ou cagou-lhe uma mosca na perna? – Pegando numa garrafa de água enchida na torneira do bar.
- O outro baldeou-o, vai lá!
Depois da ordem do Avenal, o Américo que estava a sonhar com os seus crisântemos, cruzou quase meio campo para deitar um pouco de água na perna de Pimentel e escapar entre dentes “ó rapaz vê lá se jogas à bola, e bebe vinho!”. Pimentel sentiu a motivação e nem passados 2 minutos da assistência “médica”estava novamente no chão e desta vez para sair. Américo pensava “o que falta a esta gente é beber vinho. Grandes eram os tempos do Pé Cánhão e do Casulo!”
Passava pouco depois das seis e meia quando Américo entrou no Telha’s Bar. Ao balcão estava a Doutora, amiga de longa data e parceira no combate ao crime. Doutora tinha herdado o café do pai que tinha falecido e ali tinham estabelecido a base de operações. E laboratório já que a Doutora era responsável por vários inventos de combate ao crime. Américo ainda nem tinha encostado a barriga ao balcão e já tinha ouvido “Américozinho amigo…”, ao qual retorqui “Dá-me um tintinho caramba.”
- Tenho uma bomba! – Deitando uva fermentada num copo.
- Conta-me tudo. – Trocando o peso do corpo de uma perna para outra.
Mas Américo não ouviu nada, antes desviou a sua atenção para o copo de vinho que ia sorvendo aos poucos. Até que…
- Foi a Irmandade da Cruz. – Concluindo o seu relato.
Foi aí que a Doutora captou a atenção. Américo pediu mais uma taça de vinho e novamente o relato. Tudo começara com uma estranha mensagem na casa de Venturino, escrito a vermelho estava “farinha de 1ª”. Venturino era um solteirão que vivia sozinho, homem pacato talvez demasiado pacato. Todos na cidade pensaram que Venturino andasse amantizado com Délminda Galináceo, que ele fosse a tal “farinha de 1ª” para a Sra. Galináceo. Nada disso. Venturino e Zé, o primogénito de Délminda que tinha pouco mais de 18 anos, eram amantes. Foi um escândalo na cidade, e Venturino pouco depois desaparecera. Uns dizem que foi por vergonha, outros que a Irmandade além das mensagens também aplicavam a pena capital aos pecadores. E assim nasceu um mito. A Irmandade da Cruz, justos justiceiros que aplicavam a moral e faziam questão de o mostrar. Desde Venturino tinham passado 6 semanas e desaparecido mais 5 pessoas, ladrões, infiéis, e um indivíduo que mantinha relações demasiado afectivas com a sua vaca.
- Mas isso aconteceu quando? - Américo terminando a taça.
- Foi esta noite na casa do Duque, e a mensagem era “Enfurião”.
- Humm. Vou andar meia horita.
Muito estranho, o Duque não era como as anteriores vitimas. Pelo contrário toda gente sabia que o Duque era um assassino na reforma e toda gente o ignorava. Era visto muitas vezes a passear de bicicleta, de calções de ganga rasgados e de óculos escuros na cabeça. Figura simpática tendo em conta o seu currículo de morte por dinheiro. O Tomás saberá responder-me às dúvidas, o Tomás Ceguinho o cego que vê tudo.
- Então tiudo bem Tomás?
- Ó malvado então por aqui? – Respondia-lhe Tomás Ceguinho
- Ó malvado então por aqui? – Repetia da irmã.
- Ó porcalhão vens ver se eu sei alguma coisa sobre a Irmandade, não é?
- Sobre a Irmandade. – Novamente a irmã.
- Eu sou assim caramba! – Américo respondia muito “deslavado”.
- Ao que parece o “Enfurião”, ou melhor o Duque como é conhecido, frequentou um curso de pastoreio com os que se chamam agora “A Irmandade da Cruz”. E naturalmente querem apagar qualquer rasto que leve até eles.
- Apagar qualquer rasto que leve até eles. – Frisava a irmã do Tomás Ceguinho.
- Pastoreio??? Mas isso quer dizer que os Gémeos Mã estão envolvidos. ‘Té logo ó Tomás!
- Ó malvado já vais? Porta-te bem.
E sem que a irmã de Tomás Ceguinho tivesse tempo de repetir o que o irmão disse, Américo voltava à Pop Cave para mudar de identidade. Seria possível que durante tanto tempo sem pistas os Gémeos Mã cometessem este erro de atacar alguém que os conhece? Os Gémeos são os magnatas do pastoreio de Corgão City e tinham investido algum dinheiro nos têxteis. Toda a cidade agradeceu porque por todo o lado os têxteis iam perdendo força por causa dos Chineses. Mas os Gémeos conseguiram levantar essa nobre actividade na cidade e ganhar estatuto. Parecia-me impossível que os Mã eram a Irmandade da Cruz. Mas as respostas estariam todas na Taberna do Baby, poiso habitual dos Gémeos Mã.

Saberemos como o nosso herói evolui na sua investigação no segundo episódio de As Aventuras de PopMen e a Irmandade da Cruz.

1 Gente armada em Seth Cohen disseram algo:

Anonymous Anónimo lembrou-se de dizer que...

Vá lá vá lá até gostei... Então n é k o rapaz até pode ter, repito, até pode ter jeito pa estas mariquices? Continua a beber vinho. Salvé

5:57 p.m.  

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