Episódio IV
O tinto carrascão. A ultima fronteira. Estas são as aventuras do PopMen até onde nenhum homem tentou beber…
A Doutora tinha acabado de se levantar, e escovava o seu cabelo ao espelho. Não era uma mulher bonita, nunca tinha tido muitos pretendentes nem tão pouco tinha levado uma vida animada. Mas era uma mulher. Há muitos anos tinha conhecido o Américo lá para bandas do Traveiro. Tinha decidido deixar este mundo. O pai tinha-o feito porque não fazer o mesmo pensava ela. O Pai Telhas, como ela lhe chamava, notando uma certa habilidade para os inventos sempre a incentivou. Numa vida triste, o Pai Telhas, tornou-se a pessoa mais importante pelo apoio e incentivo que lhe dava. Depois da morte dele nada mais fazia sentido, daí a sua ida ao Traveiro. Era pôr-do-sol e depois de um dia a chorar, Doutora decidira morrer. E o Traveiro era o sítio ideal para o fazer, era uma ravina artificial de várias dezenas metros de altura resultante de uma exploração de argilas. Depois foi uma lixeira, depois um lago com peixes e tudo mas actualmente era uma simples ravina onde os loucos se atiravam por amor. Por esta altura ainda se vê um ou outro no fundo, dizem que os que não morreram ainda vivem por lá à procura não se sabe bem do quê. E foram nestes pensamentos que a Doutora fez a sua higiene, primeiro o cabelo depois as pilosidades nas orelhas e no nariz. Lembra-se perfeitamente de Américo nesse crepúsculo em que decidiu morrer, talvez com mais razões para morrer do que ela. E conversaram, e conversaram. Umas vezes fizeram sentido, outras não mas não mais deixaram de conversar desde aquela noite. Eu diria mesmo que havia uma certa atracção, nunca consumada é claro, que resultou esta união que conhecemos agora de luta contra o crime. Havia razão para viver para os dois, e neste pensamento a Doutora larga a lágrima mais solitária da História deste planeta.
- Olá. Bom dia. – Dizia a doutora com alguma expectativa.
- Bom dia.
- Então novidades? – Ainda mais expectante que antes.
- Não.
- Eu sei que vim cedo mas… será que posso entrar?
- Ainda é cedo mas… acho que não há problema.
- Obrigado. – Como se tivesse aceite um copo de água depois de deambular no deserto durante dias.
A sala era incrivelmente branca. Até os quadros eram brancos. Lençóis. Cama. De quando em vez a monotonia imaculada do quarto era salpicada pelo prateado de alguma mobília. O inebriante “Bip” “Bip” cortava o silêncio da sala, coincidente com os picos de uma linha verde. A Doutora cumpria o seu ritual, e ficava aterrada com aquele cenário. Há quatro meses que assim era, e há quatro meses que via Américo deitado naquela cama. E nesses quatro meses nunca perdeu esperança de ele acordar e dizer que se tinha passado naquela segunda-feira quando foi à cooperativa. Teria tentado beber o vinho todo? Ela sabia que às vezes o PopMen não era só um super herói por combater o crime, mas por uma vez beber uma pipa de vinho na Taberna do Baby. Ela tinha visto, ninguém lhe tinha contado. Depois da noite em que se conheceram, saíram algumas vezes. Foram à Taberna do Baby e o Julanca (Rei da Petanca) desafiou-o para beberem uma pipa cada um. E da boca de Américo só saiu – “Pagas?” – e sem que desse por isso a pipa já ia a meio. Aqui o Julanca que era um pantomineiro de primeira já estava caído a um canto, nem conseguiu acordar para ver o Américo a acabar o ultimo jarro saído da pipa. Com esta euforia toda Américo desata a cantar letras do ABBA, Bee Gees e afins. Ao outro dia era “PopMen” pr’aqui, “PopMen” pr’ali, “PopMen” bebeu uma pipa de carrascão e ainda cantou. E agora jazia moribundo numa cama de hospital. A única coisa que se sabe é que foi encontrado em estado de coma, quase a morrer com excesso de sangue. Exactamente excesso de sangue! O PopMen era muito especial, a taxa alta de alcoolémia era o que lhe permitia viver e ser sobredotado. Se a hemoglobina estiver alta o PopMen é um comum mortal, pode-se dizer que é a sua Kriptonite. A Doutora que agora estava sentada, depois de ultrapassar a fiampada ligada ao corpo de Américo, lia-lhe os rótulos de garrafas de vinho. Já o fazia há quatro meses. Nesta devoção jurara que já o tinha visto a sorrir e de outra vez que ele tinha mesmo aberto os olhos. Aliás dessa vez estavam lá um médico e uma enfermeira, mas nada viram e até ameaçaram levá-la para a ala de psiquiatria se ela não se acalmasse.
- Produzido e engarrafado por Produtores Associados de Vinho… – Prosseguia ela com a sua rotina.
- Produto de Portugal, 0,75 L – – Quando algo inesperado aconteceu.
O “Bip” “Bip” compassado em Ré menor tornou-se diferente. Luzes acenderam, luzes apagaram, números apareceram e desapareceram. O corpo de Américo retesava-se numa convulsão. A sala que antes parecia brilhante, cheia de luz quase divina, começou a definhar ficando cada vez menos brilhante. A Doutora ficou em pânico e gritou.
- Um médico!
- Duas enfermeiras!
- Meio veterinário!
- Alguém por favor…- A Doutora continuou a gritar.
De repente o “Bip” “Bip” voltou a ser compassado, as luzes apagaram e…
- Já bebia um tintinho caramba!
A Doutora ficara sem palavras, Américo estava acordado. E a pedir tinto. Pelo menos parece estar tudo bem com ele. Passado meia hora apareceu um médico muito surpreso com o quadro que estava a ver. Um paciente, antes em coma e agora acordado, a beber vinho e a emanar uma estranha aura.
Que aconteceu a PopMen na cooperativa? Que vil ataque sofreu para ficar em coma? Agora acordado será que ele se recorda dos seus agressores? Será que vai ser agora que vamos assistir a uma bulhinha? Queria eu uma sessão de porrada que eu queria uma broa! Tudo, mas mesmo tudo no 5º episodio de As Aventuras de PopMen
A Doutora tinha acabado de se levantar, e escovava o seu cabelo ao espelho. Não era uma mulher bonita, nunca tinha tido muitos pretendentes nem tão pouco tinha levado uma vida animada. Mas era uma mulher. Há muitos anos tinha conhecido o Américo lá para bandas do Traveiro. Tinha decidido deixar este mundo. O pai tinha-o feito porque não fazer o mesmo pensava ela. O Pai Telhas, como ela lhe chamava, notando uma certa habilidade para os inventos sempre a incentivou. Numa vida triste, o Pai Telhas, tornou-se a pessoa mais importante pelo apoio e incentivo que lhe dava. Depois da morte dele nada mais fazia sentido, daí a sua ida ao Traveiro. Era pôr-do-sol e depois de um dia a chorar, Doutora decidira morrer. E o Traveiro era o sítio ideal para o fazer, era uma ravina artificial de várias dezenas metros de altura resultante de uma exploração de argilas. Depois foi uma lixeira, depois um lago com peixes e tudo mas actualmente era uma simples ravina onde os loucos se atiravam por amor. Por esta altura ainda se vê um ou outro no fundo, dizem que os que não morreram ainda vivem por lá à procura não se sabe bem do quê. E foram nestes pensamentos que a Doutora fez a sua higiene, primeiro o cabelo depois as pilosidades nas orelhas e no nariz. Lembra-se perfeitamente de Américo nesse crepúsculo em que decidiu morrer, talvez com mais razões para morrer do que ela. E conversaram, e conversaram. Umas vezes fizeram sentido, outras não mas não mais deixaram de conversar desde aquela noite. Eu diria mesmo que havia uma certa atracção, nunca consumada é claro, que resultou esta união que conhecemos agora de luta contra o crime. Havia razão para viver para os dois, e neste pensamento a Doutora larga a lágrima mais solitária da História deste planeta.
- Olá. Bom dia. – Dizia a doutora com alguma expectativa.
- Bom dia.
- Então novidades? – Ainda mais expectante que antes.
- Não.
- Eu sei que vim cedo mas… será que posso entrar?
- Ainda é cedo mas… acho que não há problema.
- Obrigado. – Como se tivesse aceite um copo de água depois de deambular no deserto durante dias.
A sala era incrivelmente branca. Até os quadros eram brancos. Lençóis. Cama. De quando em vez a monotonia imaculada do quarto era salpicada pelo prateado de alguma mobília. O inebriante “Bip” “Bip” cortava o silêncio da sala, coincidente com os picos de uma linha verde. A Doutora cumpria o seu ritual, e ficava aterrada com aquele cenário. Há quatro meses que assim era, e há quatro meses que via Américo deitado naquela cama. E nesses quatro meses nunca perdeu esperança de ele acordar e dizer que se tinha passado naquela segunda-feira quando foi à cooperativa. Teria tentado beber o vinho todo? Ela sabia que às vezes o PopMen não era só um super herói por combater o crime, mas por uma vez beber uma pipa de vinho na Taberna do Baby. Ela tinha visto, ninguém lhe tinha contado. Depois da noite em que se conheceram, saíram algumas vezes. Foram à Taberna do Baby e o Julanca (Rei da Petanca) desafiou-o para beberem uma pipa cada um. E da boca de Américo só saiu – “Pagas?” – e sem que desse por isso a pipa já ia a meio. Aqui o Julanca que era um pantomineiro de primeira já estava caído a um canto, nem conseguiu acordar para ver o Américo a acabar o ultimo jarro saído da pipa. Com esta euforia toda Américo desata a cantar letras do ABBA, Bee Gees e afins. Ao outro dia era “PopMen” pr’aqui, “PopMen” pr’ali, “PopMen” bebeu uma pipa de carrascão e ainda cantou. E agora jazia moribundo numa cama de hospital. A única coisa que se sabe é que foi encontrado em estado de coma, quase a morrer com excesso de sangue. Exactamente excesso de sangue! O PopMen era muito especial, a taxa alta de alcoolémia era o que lhe permitia viver e ser sobredotado. Se a hemoglobina estiver alta o PopMen é um comum mortal, pode-se dizer que é a sua Kriptonite. A Doutora que agora estava sentada, depois de ultrapassar a fiampada ligada ao corpo de Américo, lia-lhe os rótulos de garrafas de vinho. Já o fazia há quatro meses. Nesta devoção jurara que já o tinha visto a sorrir e de outra vez que ele tinha mesmo aberto os olhos. Aliás dessa vez estavam lá um médico e uma enfermeira, mas nada viram e até ameaçaram levá-la para a ala de psiquiatria se ela não se acalmasse.
- Produzido e engarrafado por Produtores Associados de Vinho… – Prosseguia ela com a sua rotina.
- Produto de Portugal, 0,75 L – – Quando algo inesperado aconteceu.
O “Bip” “Bip” compassado em Ré menor tornou-se diferente. Luzes acenderam, luzes apagaram, números apareceram e desapareceram. O corpo de Américo retesava-se numa convulsão. A sala que antes parecia brilhante, cheia de luz quase divina, começou a definhar ficando cada vez menos brilhante. A Doutora ficou em pânico e gritou.
- Um médico!
- Duas enfermeiras!
- Meio veterinário!
- Alguém por favor…- A Doutora continuou a gritar.
De repente o “Bip” “Bip” voltou a ser compassado, as luzes apagaram e…
- Já bebia um tintinho caramba!
A Doutora ficara sem palavras, Américo estava acordado. E a pedir tinto. Pelo menos parece estar tudo bem com ele. Passado meia hora apareceu um médico muito surpreso com o quadro que estava a ver. Um paciente, antes em coma e agora acordado, a beber vinho e a emanar uma estranha aura.
Que aconteceu a PopMen na cooperativa? Que vil ataque sofreu para ficar em coma? Agora acordado será que ele se recorda dos seus agressores? Será que vai ser agora que vamos assistir a uma bulhinha? Queria eu uma sessão de porrada que eu queria uma broa! Tudo, mas mesmo tudo no 5º episodio de As Aventuras de PopMen

2 Gente armada em Seth Cohen disseram algo:
pá, isto tá a piorar
ha ali uma confusãozita
ela escova o cabelo e Depois da morte dele nada mais fazia sentido, daí a sua ida ao Traveiro. ... Era pôr-do-sol e depois de um dia a chorar, Doutora decidira morrer. e dpois ja ta c o outro
catano o q é q m escapou?
De notar que a narração em jeito de analepse serve o proposito de mostrar como as personagens se cruzam e seguem um caminho em comum. Saudações
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