terça-feira, dezembro 20, 2005

Pedido de Desculpas ou não!

Neste atraso preciso, que foi a publicação do segundo episódio de Aventuras de PopMen, duas considerações a serem feitas. Problemas de tempo impossibilitaram o gesto simples que é publicar, aos fãs peço desculpa. Esta também foi uma forma simples de tomar pulso à obra que é publicada aqui. Visto não haver ninguém interessado em ler, optimo! Assim o autor não terá a pressão de defraudar qualquer fã mais fanático. Obrigado pela paciência de esperar pelo novo episódio, espero ser mais breve na publicação do próximo. Saudações

A Irmandade da Cruz - Episódio II

Star Log 755372.54

No episódio anterior o nosso herói intensifica a investigação das estranhas mensagens escritas nas paredes de alguns habitantes de Corgão City. Depois da visita a Tomás Ceguinho, Américo apronta-se para seguir uma pista que leva aos Gémeos Mã.

Os Bee Gees ecoavam na PopCave, ao mesmo tempo que o nosso herói colocava o fato do seu alter-ego – O PopMen. Quer dizer, não era bem uma caverna mas sim um anexo da parte de trás do café que servia de armazém. E por entre as grades de Ónix e os garrafões de tinto, estavam bem camuflados o PopCicle e outros belos inventos da Doutora no combate ao crime. Quer dizer também podiam ser utilizados para outros fins, Américo utilizava por exemplo o PopCicle para ir aos domingos exercer “massagismo” amador no clube de Corgão City. Hoje, se calhar por causa do tinto, estava particularmente difícil colocar a capa. Foi então que a Doutora entrou na PopCave e rapidamente o foi ajudar, sem esquecer a bisbilhotice habitual.
- Temos “marriges”! – Disse ela mas PopMen continuou a absorver a cantilena dos Bee Gees e a meditar sobre a trama. Ele sabia que a Taberna do Baby era terreno perigoso, os Gémeos não estariam sozinhos. Por isso decidiu ir a casa do Duque primeiro para tentar sacar informações, pelo caminho teria alguns problemas…
- Doutor que me diz? – PopMen ouvia esta pergunta mas ninguém estava à vista!
- Ele continua a mostrar sinais de melhoras mas não acorda! – Continuava a voz. Mas PopMen não se deixou atemorizar, já tinham acontecido coisas muito estranhas em Corgão City. Mas a voz era angelical demais para ser ignorada, transmitia uma paz inigualável e era ideal para o momento. PopMen não acreditava que os Mãs eram capazes de conceber esta teia tão elaborada com mensagens e desaparecimentos. Os Mãs eram rapazolas rudes com cabelo seboso e só queriam saber de ovelhas e cerveja. O PopCicle tinha detido a marcha de fronte da “Mansão”, era assim chamada a residência do Duque. Uma casa que servia de apoio ao cultivo do arroz que tinha sido recuperado com chapas e troncos de “cliptos”. Tudo estava calmo, talvez calmo demais já que o Duque era amante do transe psicadélico israelita e ouvia-o bem alto. Cuidadosamente PopMen usando a PopCorda pula o muro de meio metro das traseiras e procura refugio num salgueiro a meio do pátio. Mas nada, rigorosamente nada! Tudo calmo. “Partiu com medo, injinho”, e com este pensamento PopMen entra na “Mansão”. Na sala estava tudo meticulosamente arrumado, como se tivesse havido luta e o vencedor tivesse escondido qualquer indício do uso de força. Depois de uma breve vista pela casa, PopMen sabe duas coisas. O Duque não foi embora pelo próprio pé porque deixou os documentos todos em casa e tinha que pedir a ajuda forense à Doutora. Passos. “Ainda apanho o culpado hoje, queres ver!” E num gesto furtivo desaparece para surpreender quem quer que fosse.
- Vagabundo sou eu! Pensei que querias ajuda e como já não tinha ninguém no café, vim. – A Doutora parecia que lia os pensamentos, era assustador.
- Por acaso até preciso, vê se consegues encontrar alguma pista antes de eu ir enfrentar os Mãs.
A Doutora ficou a processar o local, e PopMen encontra a reserva de vinho do Duque. “Para onde ele foi já não precisa disto” e em jeito de memorial fúnebre fez uma bênção à garrafa e dedicou a “gaitada” ao Duque. E mergulhou em pensamentos sobre as suas preciosas flores e arbustos.
Tinha passado uma boa meia hora quando a Doutora o acorda do seu transe floral.
- Procurei por todo lado mas nada! Mas tinhas razão, a casa foi toda arrumada e limpa.
- Pronto caramba! Mas mesmo nada?
- Quer dizer, há uma pequenina coisa mas…
- Oh desembucha ou queres vinho? – PopMen estende a garrafa.
- É precisamente isso, encontrei uma garrafa de vinho estranha. No rótulo dizia “cooperativa da Irmandade da Cruz”.
- Humm pois, nunca ouvi falar! Eu não sou como esses abichanados que cospem o vinho e sabem as cooperativas todas. Isso é um desperdício! Bem vou precisar da tua ajuda.
- Queres que vá investigar a tal cooperativa?
- Isso também… – E mais não revelou o PopMen.

De volta ao PopCicle, o nosso herói dirigiu-se à Taberna do Baby. Era cada vez mais evidente que os Gémeos teriam um papel importante mas não eram os culpados. Algo dizia ao PopMen e não era eu que estou a narrar, que os Mãs eram peões e nem sequer estavam conscientes da trama. Eram saloios demais para fazer parte de algo tão elaborado.
- KKKTCHHHHHHH Daqui Doutora, já fiz o que pediste. KKKKTCHHHHH
- KKKKTCHHHHHH PopMen em linha, bom trabalho! KKKTCHHHHH – Estava na altura de por em pratica o plano.
Pouco depois estava nas traseiras da Taberna do Baby, é claro que o nosso herói não ia entrar pela porta principal. Pela razão muito simples os Mãs costumavam estar na parte detrás da taberna onde tinha televisão, um burro e uns velhos matrecos, lá se ia o elemento surpresa.
- Ó Caeytano só vale os mil! – Ouviu mal chegou as traseiras. Pouco depois um grande reboliço. Usando a PopVisão rapidamente percebe a razão do tanta algazarra. A um canto Zé Pedreiro jogava ao burro observado de perto por Caeytano, os Mãs perto da televisão como de costume e na outra mesa a velha discussão das cartas. Quim Negro separava Don Venezuela de Tadeu com a valente ajuda de Baby que entretanto já tinha vindo para acabar com a algazarra. Já eram velhos os desentendimentos na parte de trás da Taberna, tudo por causa das cartas. Batota, sueca, ramy, bisca mandada, qualquer que fosse o jogo havia sempre problemas. Desta vez por causa de um ás de espadas jogado apenas no fim, e Tadeu acusou Don de ter feito renúncia. Nem sei porque continuavam a jogar com o Don, ele fazia sempre renúncia mesmo que tivesse a ganhar! Ele era conhecido por isso e também por comentar as jogadas que fazia. Qualquer coisa do género “Ahora jogo copas” ou o trivial pedido “Quero branco on the rocks”. Mas ou por faltar um parceiro para o jogo ou simplesmente por ser o Don, lá continuavam a jogar. Mas PopMen não estava ali para resolver “maus perderes” ou mesmo dar uma ensinadela ao Zé Pedreiro no burro.

Que andará a tramar o nosso herói? Que terá preparado para os Gémeos Mã? Saberemos como o nosso herói evolui na sua investigação no terceiro episódio de As Aventuras de PopMen e a Irmandade da Cruz.

sábado, dezembro 03, 2005

Aviso Oficial do Autor


Caro Leitor ou Leitora se esteve à espera de uma grande história e foi uma tremenda desilusão quando leu o primeiro episódio, então benvindo(a) porque voltou e está a ler este post! Agradeço desde já a atenção despendida para ler um amontoado de palavras que me foi segredado durante o sono mas não sei bem se foi Deus ou se eram os pedreiros ao lado de minha casa num dia em que fiquei a dormir até tarde. A verdade é que escrevi este episódio em 3 dias em absoluto transe, tirando o resto do tempo onde andei a fazer outras coisas. Espero um dia que este acontecimento se traduza num Nobel e uma ilha só para mim. Agora o aviso:
Os episódios da saga serão publicados online todas as sextas-feiras precisamente às 15h T.M.G. (para quem não sabe Tempo Marcado para Génese).
Saudações e obrigado por detestarem aquilo que escrevo.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A Irmandade da Cruz - Episódio I

Numa Galáxia muito muito longe daqui…

Como eu adoro crisântemos! O cheiro de relva cortada ou toque de terra molhada. Basicamente a minha vida tem sido jardinagem, não conheço outro ofício. A dedicação que tenho pelas plantas, arbustos e flores foi, ao longo da minha vida, invejada por varias mulheres. Tolas… Nunca nenhuma a mereceu como as minhas flores.
- É pá, ó Américo acorda! O Pimentel ‘tá caído.
- Ele que se levante ou cagou-lhe uma mosca na perna? – Pegando numa garrafa de água enchida na torneira do bar.
- O outro baldeou-o, vai lá!
Depois da ordem do Avenal, o Américo que estava a sonhar com os seus crisântemos, cruzou quase meio campo para deitar um pouco de água na perna de Pimentel e escapar entre dentes “ó rapaz vê lá se jogas à bola, e bebe vinho!”. Pimentel sentiu a motivação e nem passados 2 minutos da assistência “médica”estava novamente no chão e desta vez para sair. Américo pensava “o que falta a esta gente é beber vinho. Grandes eram os tempos do Pé Cánhão e do Casulo!”
Passava pouco depois das seis e meia quando Américo entrou no Telha’s Bar. Ao balcão estava a Doutora, amiga de longa data e parceira no combate ao crime. Doutora tinha herdado o café do pai que tinha falecido e ali tinham estabelecido a base de operações. E laboratório já que a Doutora era responsável por vários inventos de combate ao crime. Américo ainda nem tinha encostado a barriga ao balcão e já tinha ouvido “Américozinho amigo…”, ao qual retorqui “Dá-me um tintinho caramba.”
- Tenho uma bomba! – Deitando uva fermentada num copo.
- Conta-me tudo. – Trocando o peso do corpo de uma perna para outra.
Mas Américo não ouviu nada, antes desviou a sua atenção para o copo de vinho que ia sorvendo aos poucos. Até que…
- Foi a Irmandade da Cruz. – Concluindo o seu relato.
Foi aí que a Doutora captou a atenção. Américo pediu mais uma taça de vinho e novamente o relato. Tudo começara com uma estranha mensagem na casa de Venturino, escrito a vermelho estava “farinha de 1ª”. Venturino era um solteirão que vivia sozinho, homem pacato talvez demasiado pacato. Todos na cidade pensaram que Venturino andasse amantizado com Délminda Galináceo, que ele fosse a tal “farinha de 1ª” para a Sra. Galináceo. Nada disso. Venturino e Zé, o primogénito de Délminda que tinha pouco mais de 18 anos, eram amantes. Foi um escândalo na cidade, e Venturino pouco depois desaparecera. Uns dizem que foi por vergonha, outros que a Irmandade além das mensagens também aplicavam a pena capital aos pecadores. E assim nasceu um mito. A Irmandade da Cruz, justos justiceiros que aplicavam a moral e faziam questão de o mostrar. Desde Venturino tinham passado 6 semanas e desaparecido mais 5 pessoas, ladrões, infiéis, e um indivíduo que mantinha relações demasiado afectivas com a sua vaca.
- Mas isso aconteceu quando? - Américo terminando a taça.
- Foi esta noite na casa do Duque, e a mensagem era “Enfurião”.
- Humm. Vou andar meia horita.
Muito estranho, o Duque não era como as anteriores vitimas. Pelo contrário toda gente sabia que o Duque era um assassino na reforma e toda gente o ignorava. Era visto muitas vezes a passear de bicicleta, de calções de ganga rasgados e de óculos escuros na cabeça. Figura simpática tendo em conta o seu currículo de morte por dinheiro. O Tomás saberá responder-me às dúvidas, o Tomás Ceguinho o cego que vê tudo.
- Então tiudo bem Tomás?
- Ó malvado então por aqui? – Respondia-lhe Tomás Ceguinho
- Ó malvado então por aqui? – Repetia da irmã.
- Ó porcalhão vens ver se eu sei alguma coisa sobre a Irmandade, não é?
- Sobre a Irmandade. – Novamente a irmã.
- Eu sou assim caramba! – Américo respondia muito “deslavado”.
- Ao que parece o “Enfurião”, ou melhor o Duque como é conhecido, frequentou um curso de pastoreio com os que se chamam agora “A Irmandade da Cruz”. E naturalmente querem apagar qualquer rasto que leve até eles.
- Apagar qualquer rasto que leve até eles. – Frisava a irmã do Tomás Ceguinho.
- Pastoreio??? Mas isso quer dizer que os Gémeos Mã estão envolvidos. ‘Té logo ó Tomás!
- Ó malvado já vais? Porta-te bem.
E sem que a irmã de Tomás Ceguinho tivesse tempo de repetir o que o irmão disse, Américo voltava à Pop Cave para mudar de identidade. Seria possível que durante tanto tempo sem pistas os Gémeos Mã cometessem este erro de atacar alguém que os conhece? Os Gémeos são os magnatas do pastoreio de Corgão City e tinham investido algum dinheiro nos têxteis. Toda a cidade agradeceu porque por todo o lado os têxteis iam perdendo força por causa dos Chineses. Mas os Gémeos conseguiram levantar essa nobre actividade na cidade e ganhar estatuto. Parecia-me impossível que os Mã eram a Irmandade da Cruz. Mas as respostas estariam todas na Taberna do Baby, poiso habitual dos Gémeos Mã.

Saberemos como o nosso herói evolui na sua investigação no segundo episódio de As Aventuras de PopMen e a Irmandade da Cruz.