domingo, janeiro 08, 2006

Bio


Américo nasce em Corgão City em 1958, da juventude só há memória das tardes de verão. Da pesca e das futeboladas na praça, das expedições nocturnas à fruta da quinta. Américo não se chama Américo mas vou mantê-lo no anonimato com a promessa que ele existe. Américo foi o primeiro a ter umas calças de marca e porque trabalhava na El Dorado. Américo de alcunha PopMen delirava com a Briosa, sendo espectador assíduo nos anos 80. PopMen porque cantava, a boa disposição era o seu "midle name" mesmo em tempos mais dificeis. Agora quase no final e mesmo no declinio, aquele sorriso e a alegria não desapareceu. Por isto e pelo respeito que ele merece, este é o meu tributo. Tributo pequeno e singelo mas para imortalizar alguém que não nos deixa indiferente. Ao PopMen pelos momentos divertidos que nos proporcionou...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Episódio III

Os eventos seguintes decorreram entre 1:00 A.M. e 2:00 A.M.


- Já passaram 3 meses desde que ele deu entrada. Coitado tenho pena dele, ele tem um ar tão tranquilo… – Américo ouvia estas doces palavras e suavemente foi abrindo os olhos. Uma sala branca fortemente iluminada por uma janela do seu lado esquerdo foi o que pode ver quando os seus olhos se habituaram à luz. Do lado direito uma panóplia de mecanismos electrónicos tinham raízes no seu próprio corpo. Estava sozinho e deitado numa cama incrivelmente macia de lençóis brancos. Estaria no Céu? Mas se era não o tinha imaginado assim, a sua visão idílica era mais parecida com as caves que certa vez visitou no Alto Douro. Américo tentou mexer a mão mas uma dor aguda fez fechar os olhos e soltar um grito mudo. Ninguém o ouviria e num piscar de olhos a sala tinha desaparecido. Agora o cenário era outro, parecia que tinha sido teleportado. As traseiras da Taberna do Baby, reconhecia-a perfeitamente na penumbra. Escutava a voz ainda exaltada de Tadeu por causa do ás de espadas. Os Mãs continuavam confortavelmente a ver “Memórias de Joaquim Bastinhas” na 2, já Baby expulsava os últimos clientes da Taberna. Como um felino em mês de Fevereiro saltou para o telhado onde facilmente entraria por uma velha clarabóia que existia no anexo da Taberna do Baby. Quase invisível, porque toda a gente sabe a que televisão enfeitiça, PopMen desce como uma aranha pela clarabóia.
- Boas noites! – Diz PopMen triunfante.
- Já pensávamos que não vinhas… – disse Isildo Mã.
- Claro que vinha, também já sabia que me esperavam! O que fizeram com o Duque?
- Não fizemos nada! Somos inocentes… Mas o Duque andou a brincar com quem não devia!
Isildo tinha sido o segundo a nascer dos Gémeos Mã, e era o que chamamos o cérebro da família. Tinha ido até ao nono ano mas a indisciplina levou-o a ser expulso da escola. Martim era especial. Ninguém gostava de dizer atrasado mental. Quando andava na escola primária, a professora chamou os pais dos Gémeos, para fazer dois avisos. Isildo era excepcionalmente inteligente mas era muito irrequieto e indisciplinado. Já Martim era especial. “Especial? Mas ele consegue dobrar colheres com o pensamento?” Perguntara Alércio, pai dos gémeos. “O Martim é um pouco mais lento na aprendizagem, tem algumas dificuldades em relação aos outros alunos…” respondeu a professora um pouco receosa. Nesse dia os pais foram para casa a pensar “Porra o meu filho é especial, é lento mas é especial” Pouco tempo depois Martim já andava no campo com o pai porque era aí que se sentia bem.
- Vão confessar ou dizer o culpado. Uma das informações vão-me dar, isso tenho eu a certeza.
- Nós não somos a Irmandade, se é isso que perguntas. Nem tão pouco sabemos. Nós… – e Isildo deteve-se a olhar para Martim.
- Então? Estou à espera. – Disse PopMen puxando do walkie-talkie.
Silêncio. Calmamente Isildo se tinha virado para a televisão, depois de ter fitado o irmão que tinha ignorado o diálogo. PopMen já à espera das dificuldades, utiliza o walkie-talkie e depois de um “Transmite”. O programa da 2 desaparece e umas imagens de satélite aparecem. Uma imagem bem pormenorizada de uma bomba aparece em night vision. As imagens continuavam e mostravam uma cerca armadilhada com vários dispositivos explosivos.
- Não, não, não. – Martim desesperado reconhecia a cerca.
- Maldito se fazes mal às nossas ovelhas… – Ameaçava Isildo
- Silencio! Vão-me dizer ou posso detonar? – PopMen sabia que seria a única forma de obter as informações necessárias. Tinha pedido à Doutora para ir à propriedade dos Mãs e armadilhar a cerca das ovelhas que tinham clonado. Supostamente tinham criado a ovelha perfeita, mas a única coisa que criaram foram ovelhas “especiais” assim como Martim. E não demorou muito a Isildo contar tudo. O Duque tinha-os contactado dizendo que sabia a solução para as más clonagens. Adiantou que tinha amigos bem colocados numa tal cooperativa que servia de fachada para clonagem humana e que os podia ajudar. E a história continuou com contornos cada vez mais estranhos. “Ainda agora era uma história de aldeia, e caramba, já estamos a falar em clonagem humana. Quando é que o escritor deixa de invenções” pensou PopMen.
- Tudo aconteceu antes de aparecer aquela mensagem na casa do Duque. Ele disse que nos avisava quando tivesse as informações mas quando soubemos da mensagem decidimos lá ir. – Confessou Isildo.
- Mas não encontramos ninguém e eu decidi vasculhar tudo. – Finalizou Martim com uma calma absoluta.
- Estava tudo arrumadinho! Foram vocês?
- Sim não queríamos deixar nenhum rasto. Mas não fomos nós.
- Mas que cooperativa era essa? – Perguntou PopMen já sabendo a resposta.
- Também não sabemos mas talvez tenham sido eles que tenham feito desaparecer o Duque. Não sabemos nada.
- KKKTTTTTXXXX Podes arrumar tudo, vamos para casa! KKKKTTTXXXXXXXXXX
- Quando tivermos informações…
- Já sei. Não há aí um tintinho caramba???? – PopMen fechava a investigação por agora.
Depois de beber umas malgas de vinho, PopMen regressa à sua PopCave. Pelo caminho encontraria Joaquim de Almeida. Joaquim é convidado especial deste episódio e faz dele próprio. Ao princípio PopMen pensava que o vinho dos Mãs era alucinogénico mas à medida que a conversa decorre percebe que não é só vinho!
- Boa noite estava mesmo à sua procura. Sabe quem eu sou? Hum permita que me apresente. Joaquim de Almeida actor e realizador.
- Boas noites. – Foi a única coisa que lhe saiu, estava confuso. Que fazia ali um actor conhecido…
- Ora venho aqui em representação de um estúdio californiano para adaptar a sua história em filme. Então que me diz?
- Ahhhh hummm há vinho?
- Não sabia que Califórnia é um estado conhecido pelos seus vinhos?
- Então ainda aqui estamos? Humm pois… claro que estamos, eu tenho um assunto em mãos e depois podemos fazer a adaptação!
- Óptimo espero saber noticias suas. Vou agora para Califórnia e acertar os pormenores.
Depois deste breve encontro com objectivo de dar mais credibilidade à história, PopMen seguiu para a PopCave. Cooperativa da Irmandade da Cruz seria a pista a seguir, mas porquê vinho e clonagem? Qual seria a ligação? Estariam a criar a uva perfeita? Se assim for é uma bela ideia, mas porquê esconder? No meio destas questões todas é interrompido pela Doutora.
- Então já sabes mais alguma coisa?
- A solução está na garrafa que encontraste. – PopMen aponta para a ceira que ela trazia.
- Já andei a investigar mas descobri pouco. Apenas que é na Lavariz e que os anteriores donos eram os Pinheiros mas venderam tudo em 98. Agora não há informação de quem seja.


Quem seriam os proprietários da cooperativa? Seriam eles a Irmandade que fazia desaparecer os habitantes de Corgão City? Que experiências andaram a fazer na cooperativa? Qual o papel do Duque? Com a inocência dos Gémeos a trama começa-se a adensar… Fiquem a saber tudo no 4º episódio das Aventuras de PopMen e a Irmandade da Cruz.