sábado, fevereiro 18, 2006

Episódio IV

O tinto carrascão. A ultima fronteira. Estas são as aventuras do PopMen até onde nenhum homem tentou beber…


A Doutora tinha acabado de se levantar, e escovava o seu cabelo ao espelho. Não era uma mulher bonita, nunca tinha tido muitos pretendentes nem tão pouco tinha levado uma vida animada. Mas era uma mulher. Há muitos anos tinha conhecido o Américo lá para bandas do Traveiro. Tinha decidido deixar este mundo. O pai tinha-o feito porque não fazer o mesmo pensava ela. O Pai Telhas, como ela lhe chamava, notando uma certa habilidade para os inventos sempre a incentivou. Numa vida triste, o Pai Telhas, tornou-se a pessoa mais importante pelo apoio e incentivo que lhe dava. Depois da morte dele nada mais fazia sentido, daí a sua ida ao Traveiro. Era pôr-do-sol e depois de um dia a chorar, Doutora decidira morrer. E o Traveiro era o sítio ideal para o fazer, era uma ravina artificial de várias dezenas metros de altura resultante de uma exploração de argilas. Depois foi uma lixeira, depois um lago com peixes e tudo mas actualmente era uma simples ravina onde os loucos se atiravam por amor. Por esta altura ainda se vê um ou outro no fundo, dizem que os que não morreram ainda vivem por lá à procura não se sabe bem do quê. E foram nestes pensamentos que a Doutora fez a sua higiene, primeiro o cabelo depois as pilosidades nas orelhas e no nariz. Lembra-se perfeitamente de Américo nesse crepúsculo em que decidiu morrer, talvez com mais razões para morrer do que ela. E conversaram, e conversaram. Umas vezes fizeram sentido, outras não mas não mais deixaram de conversar desde aquela noite. Eu diria mesmo que havia uma certa atracção, nunca consumada é claro, que resultou esta união que conhecemos agora de luta contra o crime. Havia razão para viver para os dois, e neste pensamento a Doutora larga a lágrima mais solitária da História deste planeta.
- Olá. Bom dia. – Dizia a doutora com alguma expectativa.
- Bom dia.
- Então novidades? – Ainda mais expectante que antes.
- Não.
- Eu sei que vim cedo mas… será que posso entrar?
- Ainda é cedo mas… acho que não há problema.
- Obrigado. – Como se tivesse aceite um copo de água depois de deambular no deserto durante dias.
A sala era incrivelmente branca. Até os quadros eram brancos. Lençóis. Cama. De quando em vez a monotonia imaculada do quarto era salpicada pelo prateado de alguma mobília. O inebriante “Bip” “Bip” cortava o silêncio da sala, coincidente com os picos de uma linha verde. A Doutora cumpria o seu ritual, e ficava aterrada com aquele cenário. Há quatro meses que assim era, e há quatro meses que via Américo deitado naquela cama. E nesses quatro meses nunca perdeu esperança de ele acordar e dizer que se tinha passado naquela segunda-feira quando foi à cooperativa. Teria tentado beber o vinho todo? Ela sabia que às vezes o PopMen não era só um super herói por combater o crime, mas por uma vez beber uma pipa de vinho na Taberna do Baby. Ela tinha visto, ninguém lhe tinha contado. Depois da noite em que se conheceram, saíram algumas vezes. Foram à Taberna do Baby e o Julanca (Rei da Petanca) desafiou-o para beberem uma pipa cada um. E da boca de Américo só saiu – “Pagas?” – e sem que desse por isso a pipa já ia a meio. Aqui o Julanca que era um pantomineiro de primeira já estava caído a um canto, nem conseguiu acordar para ver o Américo a acabar o ultimo jarro saído da pipa. Com esta euforia toda Américo desata a cantar letras do ABBA, Bee Gees e afins. Ao outro dia era “PopMen” pr’aqui, “PopMen” pr’ali, “PopMen” bebeu uma pipa de carrascão e ainda cantou. E agora jazia moribundo numa cama de hospital. A única coisa que se sabe é que foi encontrado em estado de coma, quase a morrer com excesso de sangue. Exactamente excesso de sangue! O PopMen era muito especial, a taxa alta de alcoolémia era o que lhe permitia viver e ser sobredotado. Se a hemoglobina estiver alta o PopMen é um comum mortal, pode-se dizer que é a sua Kriptonite. A Doutora que agora estava sentada, depois de ultrapassar a fiampada ligada ao corpo de Américo, lia-lhe os rótulos de garrafas de vinho. Já o fazia há quatro meses. Nesta devoção jurara que já o tinha visto a sorrir e de outra vez que ele tinha mesmo aberto os olhos. Aliás dessa vez estavam lá um médico e uma enfermeira, mas nada viram e até ameaçaram levá-la para a ala de psiquiatria se ela não se acalmasse.
- Produzido e engarrafado por Produtores Associados de Vinho… – Prosseguia ela com a sua rotina.
- Produto de Portugal, 0,75 L – – Quando algo inesperado aconteceu.
O “Bip” “Bip” compassado em Ré menor tornou-se diferente. Luzes acenderam, luzes apagaram, números apareceram e desapareceram. O corpo de Américo retesava-se numa convulsão. A sala que antes parecia brilhante, cheia de luz quase divina, começou a definhar ficando cada vez menos brilhante. A Doutora ficou em pânico e gritou.
- Um médico!
- Duas enfermeiras!
- Meio veterinário!
- Alguém por favor…- A Doutora continuou a gritar.
De repente o “Bip” “Bip” voltou a ser compassado, as luzes apagaram e…
- Já bebia um tintinho caramba!
A Doutora ficara sem palavras, Américo estava acordado. E a pedir tinto. Pelo menos parece estar tudo bem com ele. Passado meia hora apareceu um médico muito surpreso com o quadro que estava a ver. Um paciente, antes em coma e agora acordado, a beber vinho e a emanar uma estranha aura.

Que aconteceu a PopMen na cooperativa? Que vil ataque sofreu para ficar em coma? Agora acordado será que ele se recorda dos seus agressores? Será que vai ser agora que vamos assistir a uma bulhinha? Queria eu uma sessão de porrada que eu queria uma broa! Tudo, mas mesmo tudo no 5º episodio de As Aventuras de PopMen

domingo, janeiro 08, 2006

Bio


Américo nasce em Corgão City em 1958, da juventude só há memória das tardes de verão. Da pesca e das futeboladas na praça, das expedições nocturnas à fruta da quinta. Américo não se chama Américo mas vou mantê-lo no anonimato com a promessa que ele existe. Américo foi o primeiro a ter umas calças de marca e porque trabalhava na El Dorado. Américo de alcunha PopMen delirava com a Briosa, sendo espectador assíduo nos anos 80. PopMen porque cantava, a boa disposição era o seu "midle name" mesmo em tempos mais dificeis. Agora quase no final e mesmo no declinio, aquele sorriso e a alegria não desapareceu. Por isto e pelo respeito que ele merece, este é o meu tributo. Tributo pequeno e singelo mas para imortalizar alguém que não nos deixa indiferente. Ao PopMen pelos momentos divertidos que nos proporcionou...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Episódio III

Os eventos seguintes decorreram entre 1:00 A.M. e 2:00 A.M.


- Já passaram 3 meses desde que ele deu entrada. Coitado tenho pena dele, ele tem um ar tão tranquilo… – Américo ouvia estas doces palavras e suavemente foi abrindo os olhos. Uma sala branca fortemente iluminada por uma janela do seu lado esquerdo foi o que pode ver quando os seus olhos se habituaram à luz. Do lado direito uma panóplia de mecanismos electrónicos tinham raízes no seu próprio corpo. Estava sozinho e deitado numa cama incrivelmente macia de lençóis brancos. Estaria no Céu? Mas se era não o tinha imaginado assim, a sua visão idílica era mais parecida com as caves que certa vez visitou no Alto Douro. Américo tentou mexer a mão mas uma dor aguda fez fechar os olhos e soltar um grito mudo. Ninguém o ouviria e num piscar de olhos a sala tinha desaparecido. Agora o cenário era outro, parecia que tinha sido teleportado. As traseiras da Taberna do Baby, reconhecia-a perfeitamente na penumbra. Escutava a voz ainda exaltada de Tadeu por causa do ás de espadas. Os Mãs continuavam confortavelmente a ver “Memórias de Joaquim Bastinhas” na 2, já Baby expulsava os últimos clientes da Taberna. Como um felino em mês de Fevereiro saltou para o telhado onde facilmente entraria por uma velha clarabóia que existia no anexo da Taberna do Baby. Quase invisível, porque toda a gente sabe a que televisão enfeitiça, PopMen desce como uma aranha pela clarabóia.
- Boas noites! – Diz PopMen triunfante.
- Já pensávamos que não vinhas… – disse Isildo Mã.
- Claro que vinha, também já sabia que me esperavam! O que fizeram com o Duque?
- Não fizemos nada! Somos inocentes… Mas o Duque andou a brincar com quem não devia!
Isildo tinha sido o segundo a nascer dos Gémeos Mã, e era o que chamamos o cérebro da família. Tinha ido até ao nono ano mas a indisciplina levou-o a ser expulso da escola. Martim era especial. Ninguém gostava de dizer atrasado mental. Quando andava na escola primária, a professora chamou os pais dos Gémeos, para fazer dois avisos. Isildo era excepcionalmente inteligente mas era muito irrequieto e indisciplinado. Já Martim era especial. “Especial? Mas ele consegue dobrar colheres com o pensamento?” Perguntara Alércio, pai dos gémeos. “O Martim é um pouco mais lento na aprendizagem, tem algumas dificuldades em relação aos outros alunos…” respondeu a professora um pouco receosa. Nesse dia os pais foram para casa a pensar “Porra o meu filho é especial, é lento mas é especial” Pouco tempo depois Martim já andava no campo com o pai porque era aí que se sentia bem.
- Vão confessar ou dizer o culpado. Uma das informações vão-me dar, isso tenho eu a certeza.
- Nós não somos a Irmandade, se é isso que perguntas. Nem tão pouco sabemos. Nós… – e Isildo deteve-se a olhar para Martim.
- Então? Estou à espera. – Disse PopMen puxando do walkie-talkie.
Silêncio. Calmamente Isildo se tinha virado para a televisão, depois de ter fitado o irmão que tinha ignorado o diálogo. PopMen já à espera das dificuldades, utiliza o walkie-talkie e depois de um “Transmite”. O programa da 2 desaparece e umas imagens de satélite aparecem. Uma imagem bem pormenorizada de uma bomba aparece em night vision. As imagens continuavam e mostravam uma cerca armadilhada com vários dispositivos explosivos.
- Não, não, não. – Martim desesperado reconhecia a cerca.
- Maldito se fazes mal às nossas ovelhas… – Ameaçava Isildo
- Silencio! Vão-me dizer ou posso detonar? – PopMen sabia que seria a única forma de obter as informações necessárias. Tinha pedido à Doutora para ir à propriedade dos Mãs e armadilhar a cerca das ovelhas que tinham clonado. Supostamente tinham criado a ovelha perfeita, mas a única coisa que criaram foram ovelhas “especiais” assim como Martim. E não demorou muito a Isildo contar tudo. O Duque tinha-os contactado dizendo que sabia a solução para as más clonagens. Adiantou que tinha amigos bem colocados numa tal cooperativa que servia de fachada para clonagem humana e que os podia ajudar. E a história continuou com contornos cada vez mais estranhos. “Ainda agora era uma história de aldeia, e caramba, já estamos a falar em clonagem humana. Quando é que o escritor deixa de invenções” pensou PopMen.
- Tudo aconteceu antes de aparecer aquela mensagem na casa do Duque. Ele disse que nos avisava quando tivesse as informações mas quando soubemos da mensagem decidimos lá ir. – Confessou Isildo.
- Mas não encontramos ninguém e eu decidi vasculhar tudo. – Finalizou Martim com uma calma absoluta.
- Estava tudo arrumadinho! Foram vocês?
- Sim não queríamos deixar nenhum rasto. Mas não fomos nós.
- Mas que cooperativa era essa? – Perguntou PopMen já sabendo a resposta.
- Também não sabemos mas talvez tenham sido eles que tenham feito desaparecer o Duque. Não sabemos nada.
- KKKTTTTTXXXX Podes arrumar tudo, vamos para casa! KKKKTTTXXXXXXXXXX
- Quando tivermos informações…
- Já sei. Não há aí um tintinho caramba???? – PopMen fechava a investigação por agora.
Depois de beber umas malgas de vinho, PopMen regressa à sua PopCave. Pelo caminho encontraria Joaquim de Almeida. Joaquim é convidado especial deste episódio e faz dele próprio. Ao princípio PopMen pensava que o vinho dos Mãs era alucinogénico mas à medida que a conversa decorre percebe que não é só vinho!
- Boa noite estava mesmo à sua procura. Sabe quem eu sou? Hum permita que me apresente. Joaquim de Almeida actor e realizador.
- Boas noites. – Foi a única coisa que lhe saiu, estava confuso. Que fazia ali um actor conhecido…
- Ora venho aqui em representação de um estúdio californiano para adaptar a sua história em filme. Então que me diz?
- Ahhhh hummm há vinho?
- Não sabia que Califórnia é um estado conhecido pelos seus vinhos?
- Então ainda aqui estamos? Humm pois… claro que estamos, eu tenho um assunto em mãos e depois podemos fazer a adaptação!
- Óptimo espero saber noticias suas. Vou agora para Califórnia e acertar os pormenores.
Depois deste breve encontro com objectivo de dar mais credibilidade à história, PopMen seguiu para a PopCave. Cooperativa da Irmandade da Cruz seria a pista a seguir, mas porquê vinho e clonagem? Qual seria a ligação? Estariam a criar a uva perfeita? Se assim for é uma bela ideia, mas porquê esconder? No meio destas questões todas é interrompido pela Doutora.
- Então já sabes mais alguma coisa?
- A solução está na garrafa que encontraste. – PopMen aponta para a ceira que ela trazia.
- Já andei a investigar mas descobri pouco. Apenas que é na Lavariz e que os anteriores donos eram os Pinheiros mas venderam tudo em 98. Agora não há informação de quem seja.


Quem seriam os proprietários da cooperativa? Seriam eles a Irmandade que fazia desaparecer os habitantes de Corgão City? Que experiências andaram a fazer na cooperativa? Qual o papel do Duque? Com a inocência dos Gémeos a trama começa-se a adensar… Fiquem a saber tudo no 4º episódio das Aventuras de PopMen e a Irmandade da Cruz.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Pedido de Desculpas ou não!

Neste atraso preciso, que foi a publicação do segundo episódio de Aventuras de PopMen, duas considerações a serem feitas. Problemas de tempo impossibilitaram o gesto simples que é publicar, aos fãs peço desculpa. Esta também foi uma forma simples de tomar pulso à obra que é publicada aqui. Visto não haver ninguém interessado em ler, optimo! Assim o autor não terá a pressão de defraudar qualquer fã mais fanático. Obrigado pela paciência de esperar pelo novo episódio, espero ser mais breve na publicação do próximo. Saudações

A Irmandade da Cruz - Episódio II

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No episódio anterior o nosso herói intensifica a investigação das estranhas mensagens escritas nas paredes de alguns habitantes de Corgão City. Depois da visita a Tomás Ceguinho, Américo apronta-se para seguir uma pista que leva aos Gémeos Mã.

Os Bee Gees ecoavam na PopCave, ao mesmo tempo que o nosso herói colocava o fato do seu alter-ego – O PopMen. Quer dizer, não era bem uma caverna mas sim um anexo da parte de trás do café que servia de armazém. E por entre as grades de Ónix e os garrafões de tinto, estavam bem camuflados o PopCicle e outros belos inventos da Doutora no combate ao crime. Quer dizer também podiam ser utilizados para outros fins, Américo utilizava por exemplo o PopCicle para ir aos domingos exercer “massagismo” amador no clube de Corgão City. Hoje, se calhar por causa do tinto, estava particularmente difícil colocar a capa. Foi então que a Doutora entrou na PopCave e rapidamente o foi ajudar, sem esquecer a bisbilhotice habitual.
- Temos “marriges”! – Disse ela mas PopMen continuou a absorver a cantilena dos Bee Gees e a meditar sobre a trama. Ele sabia que a Taberna do Baby era terreno perigoso, os Gémeos não estariam sozinhos. Por isso decidiu ir a casa do Duque primeiro para tentar sacar informações, pelo caminho teria alguns problemas…
- Doutor que me diz? – PopMen ouvia esta pergunta mas ninguém estava à vista!
- Ele continua a mostrar sinais de melhoras mas não acorda! – Continuava a voz. Mas PopMen não se deixou atemorizar, já tinham acontecido coisas muito estranhas em Corgão City. Mas a voz era angelical demais para ser ignorada, transmitia uma paz inigualável e era ideal para o momento. PopMen não acreditava que os Mãs eram capazes de conceber esta teia tão elaborada com mensagens e desaparecimentos. Os Mãs eram rapazolas rudes com cabelo seboso e só queriam saber de ovelhas e cerveja. O PopCicle tinha detido a marcha de fronte da “Mansão”, era assim chamada a residência do Duque. Uma casa que servia de apoio ao cultivo do arroz que tinha sido recuperado com chapas e troncos de “cliptos”. Tudo estava calmo, talvez calmo demais já que o Duque era amante do transe psicadélico israelita e ouvia-o bem alto. Cuidadosamente PopMen usando a PopCorda pula o muro de meio metro das traseiras e procura refugio num salgueiro a meio do pátio. Mas nada, rigorosamente nada! Tudo calmo. “Partiu com medo, injinho”, e com este pensamento PopMen entra na “Mansão”. Na sala estava tudo meticulosamente arrumado, como se tivesse havido luta e o vencedor tivesse escondido qualquer indício do uso de força. Depois de uma breve vista pela casa, PopMen sabe duas coisas. O Duque não foi embora pelo próprio pé porque deixou os documentos todos em casa e tinha que pedir a ajuda forense à Doutora. Passos. “Ainda apanho o culpado hoje, queres ver!” E num gesto furtivo desaparece para surpreender quem quer que fosse.
- Vagabundo sou eu! Pensei que querias ajuda e como já não tinha ninguém no café, vim. – A Doutora parecia que lia os pensamentos, era assustador.
- Por acaso até preciso, vê se consegues encontrar alguma pista antes de eu ir enfrentar os Mãs.
A Doutora ficou a processar o local, e PopMen encontra a reserva de vinho do Duque. “Para onde ele foi já não precisa disto” e em jeito de memorial fúnebre fez uma bênção à garrafa e dedicou a “gaitada” ao Duque. E mergulhou em pensamentos sobre as suas preciosas flores e arbustos.
Tinha passado uma boa meia hora quando a Doutora o acorda do seu transe floral.
- Procurei por todo lado mas nada! Mas tinhas razão, a casa foi toda arrumada e limpa.
- Pronto caramba! Mas mesmo nada?
- Quer dizer, há uma pequenina coisa mas…
- Oh desembucha ou queres vinho? – PopMen estende a garrafa.
- É precisamente isso, encontrei uma garrafa de vinho estranha. No rótulo dizia “cooperativa da Irmandade da Cruz”.
- Humm pois, nunca ouvi falar! Eu não sou como esses abichanados que cospem o vinho e sabem as cooperativas todas. Isso é um desperdício! Bem vou precisar da tua ajuda.
- Queres que vá investigar a tal cooperativa?
- Isso também… – E mais não revelou o PopMen.

De volta ao PopCicle, o nosso herói dirigiu-se à Taberna do Baby. Era cada vez mais evidente que os Gémeos teriam um papel importante mas não eram os culpados. Algo dizia ao PopMen e não era eu que estou a narrar, que os Mãs eram peões e nem sequer estavam conscientes da trama. Eram saloios demais para fazer parte de algo tão elaborado.
- KKKTCHHHHHHH Daqui Doutora, já fiz o que pediste. KKKKTCHHHHH
- KKKKTCHHHHHH PopMen em linha, bom trabalho! KKKTCHHHHH – Estava na altura de por em pratica o plano.
Pouco depois estava nas traseiras da Taberna do Baby, é claro que o nosso herói não ia entrar pela porta principal. Pela razão muito simples os Mãs costumavam estar na parte detrás da taberna onde tinha televisão, um burro e uns velhos matrecos, lá se ia o elemento surpresa.
- Ó Caeytano só vale os mil! – Ouviu mal chegou as traseiras. Pouco depois um grande reboliço. Usando a PopVisão rapidamente percebe a razão do tanta algazarra. A um canto Zé Pedreiro jogava ao burro observado de perto por Caeytano, os Mãs perto da televisão como de costume e na outra mesa a velha discussão das cartas. Quim Negro separava Don Venezuela de Tadeu com a valente ajuda de Baby que entretanto já tinha vindo para acabar com a algazarra. Já eram velhos os desentendimentos na parte de trás da Taberna, tudo por causa das cartas. Batota, sueca, ramy, bisca mandada, qualquer que fosse o jogo havia sempre problemas. Desta vez por causa de um ás de espadas jogado apenas no fim, e Tadeu acusou Don de ter feito renúncia. Nem sei porque continuavam a jogar com o Don, ele fazia sempre renúncia mesmo que tivesse a ganhar! Ele era conhecido por isso e também por comentar as jogadas que fazia. Qualquer coisa do género “Ahora jogo copas” ou o trivial pedido “Quero branco on the rocks”. Mas ou por faltar um parceiro para o jogo ou simplesmente por ser o Don, lá continuavam a jogar. Mas PopMen não estava ali para resolver “maus perderes” ou mesmo dar uma ensinadela ao Zé Pedreiro no burro.

Que andará a tramar o nosso herói? Que terá preparado para os Gémeos Mã? Saberemos como o nosso herói evolui na sua investigação no terceiro episódio de As Aventuras de PopMen e a Irmandade da Cruz.

sábado, dezembro 03, 2005

Aviso Oficial do Autor


Caro Leitor ou Leitora se esteve à espera de uma grande história e foi uma tremenda desilusão quando leu o primeiro episódio, então benvindo(a) porque voltou e está a ler este post! Agradeço desde já a atenção despendida para ler um amontoado de palavras que me foi segredado durante o sono mas não sei bem se foi Deus ou se eram os pedreiros ao lado de minha casa num dia em que fiquei a dormir até tarde. A verdade é que escrevi este episódio em 3 dias em absoluto transe, tirando o resto do tempo onde andei a fazer outras coisas. Espero um dia que este acontecimento se traduza num Nobel e uma ilha só para mim. Agora o aviso:
Os episódios da saga serão publicados online todas as sextas-feiras precisamente às 15h T.M.G. (para quem não sabe Tempo Marcado para Génese).
Saudações e obrigado por detestarem aquilo que escrevo.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A Irmandade da Cruz - Episódio I

Numa Galáxia muito muito longe daqui…

Como eu adoro crisântemos! O cheiro de relva cortada ou toque de terra molhada. Basicamente a minha vida tem sido jardinagem, não conheço outro ofício. A dedicação que tenho pelas plantas, arbustos e flores foi, ao longo da minha vida, invejada por varias mulheres. Tolas… Nunca nenhuma a mereceu como as minhas flores.
- É pá, ó Américo acorda! O Pimentel ‘tá caído.
- Ele que se levante ou cagou-lhe uma mosca na perna? – Pegando numa garrafa de água enchida na torneira do bar.
- O outro baldeou-o, vai lá!
Depois da ordem do Avenal, o Américo que estava a sonhar com os seus crisântemos, cruzou quase meio campo para deitar um pouco de água na perna de Pimentel e escapar entre dentes “ó rapaz vê lá se jogas à bola, e bebe vinho!”. Pimentel sentiu a motivação e nem passados 2 minutos da assistência “médica”estava novamente no chão e desta vez para sair. Américo pensava “o que falta a esta gente é beber vinho. Grandes eram os tempos do Pé Cánhão e do Casulo!”
Passava pouco depois das seis e meia quando Américo entrou no Telha’s Bar. Ao balcão estava a Doutora, amiga de longa data e parceira no combate ao crime. Doutora tinha herdado o café do pai que tinha falecido e ali tinham estabelecido a base de operações. E laboratório já que a Doutora era responsável por vários inventos de combate ao crime. Américo ainda nem tinha encostado a barriga ao balcão e já tinha ouvido “Américozinho amigo…”, ao qual retorqui “Dá-me um tintinho caramba.”
- Tenho uma bomba! – Deitando uva fermentada num copo.
- Conta-me tudo. – Trocando o peso do corpo de uma perna para outra.
Mas Américo não ouviu nada, antes desviou a sua atenção para o copo de vinho que ia sorvendo aos poucos. Até que…
- Foi a Irmandade da Cruz. – Concluindo o seu relato.
Foi aí que a Doutora captou a atenção. Américo pediu mais uma taça de vinho e novamente o relato. Tudo começara com uma estranha mensagem na casa de Venturino, escrito a vermelho estava “farinha de 1ª”. Venturino era um solteirão que vivia sozinho, homem pacato talvez demasiado pacato. Todos na cidade pensaram que Venturino andasse amantizado com Délminda Galináceo, que ele fosse a tal “farinha de 1ª” para a Sra. Galináceo. Nada disso. Venturino e Zé, o primogénito de Délminda que tinha pouco mais de 18 anos, eram amantes. Foi um escândalo na cidade, e Venturino pouco depois desaparecera. Uns dizem que foi por vergonha, outros que a Irmandade além das mensagens também aplicavam a pena capital aos pecadores. E assim nasceu um mito. A Irmandade da Cruz, justos justiceiros que aplicavam a moral e faziam questão de o mostrar. Desde Venturino tinham passado 6 semanas e desaparecido mais 5 pessoas, ladrões, infiéis, e um indivíduo que mantinha relações demasiado afectivas com a sua vaca.
- Mas isso aconteceu quando? - Américo terminando a taça.
- Foi esta noite na casa do Duque, e a mensagem era “Enfurião”.
- Humm. Vou andar meia horita.
Muito estranho, o Duque não era como as anteriores vitimas. Pelo contrário toda gente sabia que o Duque era um assassino na reforma e toda gente o ignorava. Era visto muitas vezes a passear de bicicleta, de calções de ganga rasgados e de óculos escuros na cabeça. Figura simpática tendo em conta o seu currículo de morte por dinheiro. O Tomás saberá responder-me às dúvidas, o Tomás Ceguinho o cego que vê tudo.
- Então tiudo bem Tomás?
- Ó malvado então por aqui? – Respondia-lhe Tomás Ceguinho
- Ó malvado então por aqui? – Repetia da irmã.
- Ó porcalhão vens ver se eu sei alguma coisa sobre a Irmandade, não é?
- Sobre a Irmandade. – Novamente a irmã.
- Eu sou assim caramba! – Américo respondia muito “deslavado”.
- Ao que parece o “Enfurião”, ou melhor o Duque como é conhecido, frequentou um curso de pastoreio com os que se chamam agora “A Irmandade da Cruz”. E naturalmente querem apagar qualquer rasto que leve até eles.
- Apagar qualquer rasto que leve até eles. – Frisava a irmã do Tomás Ceguinho.
- Pastoreio??? Mas isso quer dizer que os Gémeos Mã estão envolvidos. ‘Té logo ó Tomás!
- Ó malvado já vais? Porta-te bem.
E sem que a irmã de Tomás Ceguinho tivesse tempo de repetir o que o irmão disse, Américo voltava à Pop Cave para mudar de identidade. Seria possível que durante tanto tempo sem pistas os Gémeos Mã cometessem este erro de atacar alguém que os conhece? Os Gémeos são os magnatas do pastoreio de Corgão City e tinham investido algum dinheiro nos têxteis. Toda a cidade agradeceu porque por todo o lado os têxteis iam perdendo força por causa dos Chineses. Mas os Gémeos conseguiram levantar essa nobre actividade na cidade e ganhar estatuto. Parecia-me impossível que os Mã eram a Irmandade da Cruz. Mas as respostas estariam todas na Taberna do Baby, poiso habitual dos Gémeos Mã.

Saberemos como o nosso herói evolui na sua investigação no segundo episódio de As Aventuras de PopMen e a Irmandade da Cruz.

quarta-feira, novembro 30, 2005


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